Wednesday, March 28, 2007

A sloth's life




















O acordar tarde, fazer ronha na cama. Levantar e em vez de começar o dia no chuveiro, levar uma chuveirada de imagens da televisão.
Quando a fome ataca, o que tiver mais à mão. Leite e cereais, fruta, pão. Nada que envolva preparação.
Depois da paralisia mental oferecida pela caixa, tomar banho. Mas com calma. Tudo devagar, há que degustar ao máximo a água quente. Depois para voltar à vida girar a torneira na direcção contrária e dar um salto de adrenalina fria.
Sair à rua, mas nem sequer pensar em ler, andar ou mesmo pensar. Ficar sentado simplesmente. Ver as nuvens passar, num banco de jardim enquanto deixas o sol fazer o teu trabalho de aquecer o corpo quase dormente.

Thursday, March 15, 2007

the mathematician's point of view - drops

























Grandes, pequenas, a cair, no chão, na roupa, de água, de vinho, de todos os líquidos imagináveis. Matematicamente, pequenos mundos infinitos.
Para a maioria das pessoas, algo a ser limpo.

resultados


























Com tanta curiosidade, com tantas distracções. Com tantos desvios, ele acabou por se perder. Como não quis aceitar o mundo de insectos em que vivemos, acabou por sofrer as previsíveis consequências. Os resultados estão à vista...

Tuesday, February 27, 2007

A lesson that should be taken to heart

Run for the hills before they burn
Listen to the sound of the world
Watch it turn
But shake a little
Sometimes I'm nervous when I talk
I shake a little
Sometimes i hate the line I walk
I just want to show you what I know
And catch you when the current lets you go

Or should I just get along with myself
I never did get along with everybody else
Ive been trying hard to do whats right
But you know I could stay here all night
And watch the clouds fall
From the sky

Because this river is wild
God speed you boy
This river is wild

This River is Wild - The Killers

Finalmente!

Um prémio tanto pelo filme como pela carreira.

Parabéns Martin!

Saturday, February 24, 2007

à/aparte

















Sem ser desintegrado, nunca se sentiu integrado também. Calhava bem nas falhas do passeio de grupos e amizades. Não que não as tenha, mas não as tinha a sentir possessão.

Não tinha pensado nisto antes de lho terem dito. E talvez lhe terem dito o tenha provocado por si mesmo. Não, talvez não, talvez tenha sido daquela vez em que ficou extremamente desiludido.

De qualquer das formas já não se interessava muito no porquê do que tinha acontecido.
E pensando bem, também não lhe interessava sair daquela situação.

Gostava bastante de florescer no meio daquele caos fértil de desconhecido e não familiar. Gostava de desembrulhar as pessoas, como uma criança dos tempos modernos, que quando familiarizada com o brinquedo perdia o seu avassalador interesse inicial. Não, decididamente, sentia-se bastante confortável com a situação.

Via à sua volta pessoas extremamente ligadas (nem sempre contentes, mas que tentavam perdurar naquela relação contínua) e apenas conseguia um olhar frio contemplativo e um esgar. Nada mais. Aquele homem não era a criança que aquele grupo de pessoas tinham conhecido antes.

E no entanto apegava-se a pessoas individuais. Detestava-as como grupo. Talvez porque na origem de um grupo surjam as regras de conduta desse próprio grupo. E ele já tinha as suas próprias regras, completamente camaleónicas para as suas situações.

Não, ele era definitivamente um homem de uma pessoa de cada vez.

Monday, February 12, 2007

com um sobressalto e uma patada

























O acordar da hibernação já está. Agora a parte dificil vai ser levantar e começar a procurar alimento.


Sunday, February 11, 2007

Spartak!

Bass rattles bass rolls, both heaven and hell
Bass hangin' on to life outlivin' death itself
Hold tight 'cause nothing can make you stray
From that never-ending delay

Bass thumps bass rides, body movin' now!
Bass kickin' out the jams at silence's ghastly
round
Bass pumps as the blood flows in your veins
And your love still reverberates

Is this the sound of beating hearts
(hearts still beating now)
Of those who left us music to be ours
(always to be ours)
Bass shudders bass gnarls, bass it right on place
Bass me up Scotty!, dance to the music outer space
With a man whose body is a hollow case
But whose love still reverberates
Yes his love still reverberates

King Tubby - Spartak!

enquanto passeava...

























...Passou por várias coisas: montras expostas de estupidez; cenas de egocentrismo e vaidade imensuráveis; acções e comentários que pediam uma resposta; amigos perdidos no tempo; e pessoas que ele saberia que nunca o conheceriam e apenas o refeririam em caso de urgência numa conversa moribunda.

Ele sabia que nada o mantinha preso ao mundo onde nasceu e viveu.
A cólera cresceu praticamente no lugar do vazio. E primeiro sentiu necessidade de responder! De gritar! Fazer-se sentir!

Então os seus olhos finalmente habituaram-se ao ser que ele era. Viu que estava a olhar para os opostos dos sentimentos reflectidos numa montra de memórias mundanas. Lembrou-se, como a morte se lembraria: "Eles também desaparecerão na ignorância e no anonimato."

Sentiu-se mais feliz por partilhar o destino dos mortos enquanto vivo. Sorriu. E continuou a andar...

Tuesday, January 30, 2007

of electromagnetic charges and particles in the air (talking 'bout nothin' pt. 1)




















Inadequado. Mais que isso. Desapropriado.
Para o frio que se faz sentir até à minha medula óssea, onde os precursores sanguíneos se aconchegam num frenesim de constante produção de transportadores de calor.
Os fenómenos estão no entanto ligados. E apesar de saber a génese dos dois não me despertam sentimento algum.
Resumida mal e porcamente, devido ao aquecimento solar desigual, causado pela rotação da Terra e das influências electromagnéticas do campo da Terra sobre as partículas, temos clima. Clima não. Climas. Macroclimas, microclimas.
Influenciados por uma infinidade de fenómenos geológicos, biológicos, etc. Num completo cataclismo de uma míriade não contável de factores.
As bases para a teoria do caos.
Isto talvez me interesse mais, que a temperatura que vai estar amanhã. Se chove ou se faz sol.
Não que chuva ou sol não afecte o meu provável humor mas a prazo de vida humana não me pesa muito na consciência, se choveu mais ou se fez mais sol na maioria dos meus dias.

Mesmo os fenómenos meteorológicos mais agressivos em grandes quantidades tornam-se banalidades a que o camaleão humano se adapta.

hum, ao iniciar este discurso sobre nada, perdi-me...

Wednesday, December 20, 2006

Tem servido tão bem que agora só pode vir a cinderela





















Sometimes you don't say nothing cause you got nothing to say
And sometimes you tell it all cause no one's listening anyway
And you don't know for certain but you think you might be a bore
Don't wanna be nobody's burden so you just hit the dance floor
Cause the opportunities presented stop you dead stuttering on the sentences
You just get so tired of smiling and nodding like you are interested
Small talk is asking questions that no one cares about what the answer is
...
Hey, am I making any sense at all?
Does anyone here speak English?
Cuz everybody's acting like I'm crazy
Hey, is this thing on?
...
And don't you know sometimes
I could just kill
for a good conversation
Hello? Is this thing on? - !!!

Às vezes apetece-me dizer qualquer coisa. Que não faço ideia do que é.

Sunday, December 10, 2006

je ne sais pas qu'est-ce que c'est...mais c'est bien!












é estranho, não lhe consigo pôr o dedo. todos nós puxamos para um lado. das inumeráveis características e propriedades que há, cada um gosta da sua. continuamos no entanto a dizer "não!" "tá nada bem!".
e é estranho, mas toda a gente tem alguma pena de partir quando se põe a pensar. nos momentos bons. nos momentos maus que se tornam bons com alguns anos em tonel. ou mesmo naqueles maus azedos.
alguma coisa puxa pelas pessoas a ser capaz de dizer "apesar de tudo, há...". é estranho como podemos reduzir toda uma sensação desenvolvida numa quantidade desmesurável de tempo a um momento reduzido à sua insignificante infinidade de partes.
é estranho.
estranho e reconfortante.

Wednesday, November 29, 2006

Cisão Nuclear
















Silenciosa. Porque no vácuo, não há som.

não há stop

But my heart, it don’t beat,
it don’t beat the way it used to.
And my eyes, they don’t see you no more.
And my lips, they don’t kiss,
they don’t kiss the way they used to,
and my eyes don’t recognize you no more.
For reasons unknown;
for reasons unknown.
For Reasons Unknown - The Killers

Não.
Já não sou o mesmo. Não consigo parar de não ser o mesmo. Todos os dias, horas, minutos, segundos, microsegundos e partículas infinitesimais de tempo que passam deixo de ser o mesmo. Sempre um devir sem stop e sem inversão. Uma mudança para alguma coisa que nem sequer chega a ser porque nunca consigo parar de não ser o mesmo.
Brutal e continuamente a deixar de ser eu para me tornar mais em mim mesmo.

Friday, November 24, 2006

ser puxado pelo vácuo do som





















eu queria tanto ser

mas não houve tempo
foi como um soco vazio

na pressa de viver
o corpo quente
tornou-me o sangue frio.

são carris que me prendem aqui.
são carris que me prendem aqui

à velha casa onde tudo é igual.

são carris que me prendem aqui.
Cronófago - Linda Martini


Como é? Ah... já me lembro. Devo fechar os olhos. Esta sensação agradável... A sensação masoquista de estar perto de um concerto.
Os tímpanos prestes a explodir e o baixo a fazer-me impressão nas pernas. E trocar o normal bem estar pela música que podemos ouvir.
Hum... acho que me perdi outra vez. Desta vez fui até à praia para ver um mar de ondas. Há bocado penso que estava num deserto num mar sem ondas.
Mas estou a perder os contrastes. Estas imagens passam demasiado rápido. Não há tempo para as ver.
Ok...Abri os olhos. Foi só impressão minha. Ainda estou aqui, nesta sala cheia de gente. Foi agradável de qualquer forma.
--- semi consciência em concerto.

Wednesday, November 22, 2006

Cabal





















adj. 2 gén. - completo, perfeito; pleno, inteiro; rigoroso.

Imagina algo fragmentado. Cada vez mais fragmentado. Mais dividido ainda. Se pegares em cada um deles, dividem-se ainda em mais numa espiral para o infinito. Ao mesmo tempo que isto se passa eles são íntegros. Completos, plenos, inteiros. Num género de paradoxo, o que quero dizer é que uma coisa perfeita é imperfeita em si, assim como uma imperfeita também é perfeita.
Apenas porque os conceitos são impossíveis de atingir ou delinear em termos humanos, posso eu divertir-me com estes malabarismos quânticos. Brincar com as palavras e com os conceitos. Fundindo finalmente assim o cabal ao disperso, numa interrelação presente neste quotidiano.

Tuesday, November 21, 2006




















Desde o andar ao olhar. Da ponta dos pés à ponta dos cabelos.

Qualquer coisa em mim me lembra a morte
e eu confesso que até gosto
Qualquer coisa em mim me lembra a sorte
E eu confesso que eu aposto

Nesse momento em que o teu mundo se transforma
Tu vês a forma como tudo se processa
Mas só entendes quando encaixas nova peça
Qual a razão porque te olhavas dessa forma

Bem vindo a ti meu amor
Bem vindo a ti mais uma vez
Bem Vindo a Ti - Pluto

Wednesday, November 08, 2006

I just can't get you out of my mind



So I just keep walking with your sound on my head...

Take me to the place where the white boys dance.
Take me to the place where they run and play.
My baby is gone, you might have a chance.
Just take me to the place where the white boys dance.

The Killers - Where the White Boys Dance

Thursday, November 02, 2006

Season Finale















Acaba.
Com viagens para o estrangeiro. Com notícias chocantes. Com reencontros. Com arrumações. Com novas decorações. Com umas quantas respostas e outras tantas perguntas.
E torna-se tempo de uma nova estação. Novas horas e temperaturas. Nova luz e aclimatização. Uma nova temporada. De novos pensamentos. Conhecimentos. Mentalidades. Novas personagens. Novas falas e novo enredo.
Finais. Transmitem renovação. Novas etapas. Adaptações camaleónicas a novos ambientes.
Descobrimentos de novos sons e novas imagens. Novas formas de transmissão intelectual e emocional. Novas artes.
Altura de perder escamas, penas e pêlos. As designações anteriores. As novas aparências.
Um tempo de caos e destruição, que eventualmente origina novo através do velho. Reciclagem.